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Diário de Viagem: 16 de Junho : Segundo Dia no Rio de Janeiro

Resolvi descobrir quantos centros eu encontrava ha trezentos metros de onde estou, tracei entao ao norte, ao sul, a leste e a oeste um raio onde eu sairia com minha camera fotográfica para desbravar a gema. Assim fiz. Já na Praça Tiradentes algumas informações, o local é erroneamente conhecido por ter sido o local de enforcamento de Tiradentes, na verdade a historia conta que o mártir foi enforcado na Rua Passos esquina com a Avenida Passos. O pelourinho ainda é demarcado com uma escultura bem no centro da praça, que é cercada por grades e trancada no período da noite. No século passado esta praça e seu entorno eram muito frequentado e era caminho para os bondes cariocas. Em duas esquinas da praça estao os teatros mais importantes da cidade do Rio de Janeiro: Teatro Carlos Gomes e Teatro Joao Caetano, emblemáticos da historia cultural fluminense. O centrão aqui é frequentado por mendigos, pedintes, meretrizes e o submundo em geral.

Seguindo pela Rua do Teatro, encontro o CCC - Centro Carioca de Cultura, certa vez dirigido pelo meu grande amigo Marcelo Ribas, em frente ao predio fica o Largo de São Francisco, onde no ano passado eu toquei dentro do Festival Panorama de Dança, o entorno conta com construçoes coloniais mal cuidadas, pixadas e com cheiro de urina e fezes em muitas partes, vi este cenário se repetir em outros momentos nessa minha caminhada dos trezentos metros! Aqui encontra-se o Largo das Artes que faz parte da revitalização social e urbana em curso atualmente no centro antigo da cidade.

Seguindo reto encontro ruelas lotadas de gente comprando; as lojas bem cheias me remeteram à 25 de Março na capital Paulista, é bem aquilo mesmo, muvuca e produtos que vão de imãs de geladeira de um real a luminárias e móveis de três mil reais, a unica coisa que me encheu a paciencia aqui foram as vuvuzelas e outros infernos futebolísticos que sao tocados a todo tempo para chamar clientes, no meu caso serviu para fazer o oposto, saí dalí bem rápido para me livrar dos apitos e cornetas.

Trezentos metros em outra direção chego a Rua do Lavradio, ruela lotada de bares, butecos e restaurantes, os bancos ficam proximos daqui também e daqui em diante já começam a me dizer que o bairro vai mudando de nome e começa a se chamar Lapa, como não sou daqui, aceito a informação e sigo andando no Lavradio.No centro da cidade e em outras partes, as placas tem luzes internas (backlight) e acendem quando o sol se põe, o efeito é muito bonito e util para quem procura um endereço essa hora.

Essa construçao eu nao sei o que é exatamente, mas está no Largo da Carioca, onde fica a estaçao do metrô assim como diversas barraquinhas vendendo cds, dvds, sebo de livros e muito mais. Meu olhar sempre busca essas construções velhas embora estejam maltratadas. Esse pedaço do Rio de Janeiro me deixou com a certeza de que no nosso país a história não dá dinheiro. Fico me perguntando se nao há incentivos para a manutenção dos espaços do centro velho e para a educação da população em relação à bela cidade que têm nas mãos. O Rio de Janeiro nao é só Copacabana.

Para fechar esse meu rápido mas produtivo passeio de trezentos metros, eu mostro a você essa placa presa num prédio aqui do centro, que diz, “Halloween é Satanismo!” Metros atras eu havia visto uma placa sendo erguida por um  fervoroso religioso que dizia “Voce merece ir para o inferno”. Coisas de uma capital que encanta pela diversidade e pelo volume.

Durmo cansado, na Dama de Ferro desse país.


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