.Salvador BAHIA - Terceiro Dia
04 de Junho de 2010
A manha começou com um “bolinho de estudante” que eu comi no hotel, parece uma massa de tapioca frita, bem gostoso, mas é aquele tipo de massa que você fica mascando sabe? Enfim … Decidi conhecer o Pelourinho nessa manhã, peguei um táxi e pimba me deixaram lá no inicio do bairro. Pelourinho era um tronco de arvore que ficava em praça publica onde os negros apanhavam, o tronco foi tirado da praça por abaixo assinado e levado para o Museu da Cidade e no lugar do tronco ficou apenas um quadrado concretado que ainda serve de memória aos baianos e ao mundo. A praça é bem famosa e serve de entroncamento para quem decide descer a ladeira em busca de explorar o bairro que é todo colorido e que me lembrou muito o bairro La Boca em Buenos Aires, as paredes coloridas, cada uma de uma cor, maquia um pouco a simplicidade e pobreza do local. Aqui como em muitos lugares do Brasil, a falta de saneamento, a simplicidade do povo e muitas vezes os conflitos sociais, tornam-se material de venda, comercio e turismo que acaba por movimentar parte desse centro histórico.
Os Soteropolitanos – baianos da capital – são bem receptivos, no Pelô, mas também insistentes com os turistas, as ciganas querem ler as mãos, as baianas querem tirar fotos, os guias querem emprego temporário e os ambulantes fazem a festa, chega a cansar qualquer um só de ter que atravessar uma rua, mas aos poucos a gente vai se acostumando e dizer não e a passar reto, infelizmente tem que ser assim. Como eu estava dizendo, a praça do pelourinho ficou muito conhecida por causa do clipe do Michael Jackson “They Dont Care About Us” gravada aqui, a sacada da casa azul – camarim temporário do cantor – serve de plataforma para turistas com câmeras assim como outras partes do local. Os guias não cansam de dizer que “nessa esquina o Michael escorregou” “nessa lixeira ele se apoiou” historias sobre o negro que ficou branco não cessam.
Descendo a ladeira vi muitas igrejas, algumas lindas por dentro outras maravilhosas por fora, a maior parte não é permitido tirar fotos ou filmar, então fiquei mais quieto mesmo, entrei aonde era mais fácil o acesso, muitas igrejas e basílicas tem as portas frontais fechadas e as laterais abertas, só fui descobrir isso porque meu guia me contou, senão eu teria passado direto em muitas delas. E aqui é assim, se você anda sozinho sem nenhum cicerone, facilmente passam paisagens que você não fica sabendo além de se perder porque as ruas são todas muito parecidas, as lojas costumam ter o mesmo tipo de material a venda, artesanato, madeira, pescados, conchas, tecidos, bolsas, artigos de decoração para casa, quadros e muito mais que parece ter saído de uma só fabrica porque são idênticos de loja em loja, alteram somente em valor e estado de conservação.
O Centro Histórico está na parte alta da cidade e é todo vigiado por guardas municipais, militares e câmeras de segurança, já a parte baixa onde fica o Mercado Modelo já é outro esquema. Para descer é preciso pagar quinze centavos e pegar o Elevador Lacerda construído para levar a população setenta e cinco metros abaixo para a cidade baixa, o elevador carrega quinze pessoas e em menos de dez segundos nos deixa de cara para o Mercado Modelo envolto na Baía de Todos os Santos. Ali já encontramos bem menos policiamento e é importante ficar de olho em câmeras, celulares e o que mais chamar atenção. A Baia de Todos os Santos tem 1.052 kilômetros quadrados e quarenta e dois metros de profundidade, esse nome foi dado um ano depois do Descobrimento do Brasil em 1501 quando os portugueses vieram reconhecer a nova conquista, era primeiro de Novembro, Dia de Todos os Santos, na religião católica, portanto ficou assim nominada.
O Mercado Modelo é um complexo com mais de duzentas lojas de artesanato, bebidas, comida típica, instrumentos musicais e muito mais que eu não pude ver com atenção mas que enchem os olhos dos turistas e esvaziam seus bolsos também. Capoeiristas estavam dançando ali assim como as tradicionais baianas paramentadas davam seu axé. O Candomblé é aqui muito forte, os postais são cheios de Orixás, os quadros, os motivos das pinturas, as esculturas, lembranças de bolso entre outros presentes, carregam figuras como Omolú, Exu, Iemanjá, Nana e todos os outros Orixás, cultuado e/ou admirado por quem passa pelo Mercado. Retornei à cidade alta já pensando em ir embora, meu pé estava doendo bastante e mesmo o sol não castigando tanto, o couro já estava sentindo também, tirei algumas poucas fotos, comprei postais, em média um real e cinqüenta centavos e fui para a praça da sé para achar um táxi – na chuva – e voltar ao hotel.
A tarde fiquei mais quieto, editando pro Blix e montando textos, as 16h00 fui a caixa cultural, espaço mantido pela CAIXA para projetos culturais onde me apresentei as 20h00, jantei e vim para o laptop escrever este texto e postar ainda hoje. Conhecer este pedaço do Brasil é fascinante, mas tenho saudades de Uberlândia! Saudades do meu cachorro, da minha casa, das pessoas que eu gosto, ir é bom mas voltar melhor ainda, segunda-feira estou de volta ao Cerrado.
