.maranhão segundo dia
Dia 18|05|10
Dormi muito mal. O calor me atravessou, o barulho também. Estou hospedado no quarto trinta e seis embaixo de tudo, quase um porão, o local todo é de madeira antiga, o que faz com que os passos no apartamento de cima seja ouvido quase como um rojão aos ouvidos de quem tenta dormir embaixo. Acordei direto para o banho, do banho para o café da manhã. Interessante como as construções antigas se justifiquem por si próprias. A arquitetura velha, antiga, justifica as folhas das arvores caindo no seu prato enquanto você come, ou do mofo em algumas paredes ou mesmo dos mosquitos aqui e ali. A Pousada é uma opção diferente do hotel, principalmente para quem quer se misturar, para quem aceita estar aqui, no meio de tudo e fazer parte de tudo, faz bem, respirei quase fundo e tomei meu leite, feliz por estar aqui.
No restaurante onde se toma café aqui, tem uma arvore grande que chega ao céu, portanto o miolo do restaurante é a céu aberto, o que transforma tudo em poesia, senti falta de comer algum petisco típico contudo não me chateei porque tive conversas atípicas com meia dúzia de gentes, algumas de Curitiba, alguns do Ceará, nas mesas ao lado, duas italianas, daqui a pouco um casal de franceses, logo atrás um dinamarquês, na árvore, metros acima, uma preguiça abraça a árvore como quem abraça a última árvore do mundo.
Almocei e fui ao Teatro Arthur Azevedo, mas como entrei pelos fundos acabei não vendo por dentro, vou tentar na quinta-feira. Uma aula começou e desci para ver um pouco como a cidade se comporta durante o dia, peguei a rua do comércio chamada de Rua Grande, é como um grande centro velho com ruas de pedra, barraquinhas por todo o lugar, uma longa avenida – que deveria ser um calçadão mas não é - onde todo mundo compra e faz barulho. Desde marcas conhecidas nacionalmente até barracas bem regionais mesmo, encontra-se quase de tudo, vi perucas, óculos, roupas, bebidas, raízes, usados, eletrônicos, livros e por aí se segue a lista. Fui interrompido por uma chuva que já estava ameaçando o centro desde a manhã de hoje. Antes que eu me pudesse me abrigar em alguma marquise fui tomado de surpresa, a chuva é morna! Como o clima! Finalmente tive meu banho quente! A chuva foi rápida e aproveitei para entrar em uma loja de artesanato que inclusive é bem forte aqui em São Luis. Comprei alguns chaveiros e postais que pretendo presentear tão logo chegar a Minas.
Saí dali e voltei a Pousada, tudo por aqui se faz, subindo ou descendo uma dezena de ladeiras, menos íngremes que as de Ouro Preto mas tão bonitas quanto. Pausa para uma rápida soneca e vamos andar mais, dessa vez pelo Mercado Central bem próximo do Centro de Criatividade que fui ontem. No mercado encontra-se muito camarão em exposição, fresco, recém pescado, outros mariscos, frutas, geléias – uma de pimenta que me deu muita vontade experimentar – artesanatos e algo que fiquei impressionado, açaí puro! Em Minas Gerais estamos acostumados à tigela de açaí ou ao suco, mas sempre doce, aqui não, é um gosto forte que você adoça na hora dependendo do seu paladar. Junto do açaí mistura-se farinha (uma diferente, dura! Dura! Dura!) e – pasmem – camarão. Aqui camarão é aperitivo para passar no açaí, não tive estomago para isso.
Trouxe do Mercado, alguns refrigerantes, o famoso JESUS é um refrigerante rosa com leve sabor de canela, propriedade da Coca-Cola, produzido apenas no Maranhão e somente aqui é vendido. Obviamente que já coloquei na mala doze pequenas garrafinhas, conhecidas por “Jesuzinha” … a nossa “Pitchulinha”. Na saída do mercado ainda consegui comer um bolo de macacheira muito gostoso e comprei alguns doces de coco, feitos em Alcântara, cidade próxima, o doce foi criado para receber o Imperador que nunca veio à Alcântara, assim como dois palácios que foram construídos apenas para a chegada do Imperador. Hoje são espaços turísticos e assunto para todos os moradores.
Estou de volta à Pousada e preciso descansar, amanha cedo tem Lençóis Maranhenses e espero ter muita coisa boa pra contar.
