.minha vez
Então, meus parabens! Que seja assim hoje e sempre e para sempre dentro e fora de mim, por cima e por baixo, aos lados e através. Feliz dia das Mães! A minha se chama Regina, do latin Rainha, de minha parte Rainha louca, como Maria I de Portugal ou em Alice no País das Maravilhas ou uma outra louca qualquer, esse “qualquer” não significa em hipótese nenhuma a utilização pejorativa que possa talvez existir. Quando a seara é a loucura, não há pejorativos, estão todos juntos no mesmo patamar, acima dos não-loucos. Passei poucas e boas com a minha louca que me ensinaram a ser quem sou hoje, com muitas falhas mas também muitos acertos. Há que ser forte e corajoso para trazer uma criança ao mundo e educá-la, muito provável que eu não tenha a coragem que ela teve. Em Minas Gerais usamos um termo interessante para falar de peraltices, o verbo é ”aprontar” e eu sinceramente, aprontei muito para a minha Regina. Dei trabalho na infância, quando apareci no mundo com uma deficiência física! Deus nos Acuda! E assim foi, ela com muita garra e fé levou até as últimas consequencias, até quando não tinha mais forças, porque tenho certeza que é assim mesmo que a maternidade se efetua, é na ação, na garra, na defesa da cria, até o último momento - sem conhece-lo - para que a cria fique bem, salva. Minha Regina me salvou de várias nessa vida! E posso falar assim, porque já me encontro no alto dos meus vinte e oito anos, permito a mim mesmo analisar algumas passagens. Minha Regina foi professora de História e historias é o que sabia contar! Fui seu aluno na oitava série ali na Escola Estadual Professor José Ignacio de Souza, presenciei muita peraltice dela e percebi logo cedo que ela era uma pessoa muito especial, sempre muito querida, sempre rodeada de pessoas queridas. Assim é ela, que passou por várias voltas que o mundo deu, recentemente retirou um câncer, olha só! Que dificil ver minha Regina saindo da sala de cirurgia, foi novo pra mim, ela que me viu sair tantas vezes de tantos centros cirúrgicos(…) Tive minha vez, de cuidar da minha Rainha, difícil muito dificil. Dias depois ela sai de lá e mais alguns dias volta pro hospital pra engessar uma perna quebrada, é assim mesmo, sempre aprontando as suas. Tenho saudades da infância, de esperá-la debaixo do cobertor a noite - eu, fingindo estar dormindo! - e de tomar café com ela também. Lembro-me bem de quando passei a não mais sentir falta do meu pai, porque eu tinha tudo o que eu precisava em casa. Demora um pouco a gente entender o amor, a paixão e o tesão que a gente tem pela mãe! Mas quando a gente entende, aí dá uma dor forte no peito e tudo que da vontade é de pedir a Deus para nunca tirá-la do seu lado, nunca! Falta ainda tanta coisa para dizer, para fazer, para viver com ela que nem sei explicar. Sobra-me pouco: Posso sorrir, limpar essa água do rosto e ser eternamente grato ao universo por ter me coroado principe, filho de Regina, minha rainha louca.
