monga, chita e os coleguinhas do teatro
Fico impressionado como os atores, professores e diretores – não todos evoé BACO! – se envolvem pessoalmente com suas obras. Existe uma simbiose doentia no artista que tangencia toda a historia do teatro, nao é novo e nao vai ficar velho.
A peça deixa de ser espetáculo, perde o carater de obra de arte para ser “filho-parido” e o binômio encaixa perfeitamente, quantos filhos ao invés de obras de arte temos espalhados por essa terra! Aí fica complicado, porque qualquer comentário torna-se pessoal e depreciativo, uma ofensa dizem.
Lamento muito que para parte da classe artística ouvir um “não” continue sendo visto como “falta de educação”, veneráveis bipedes!!! Um “não” pode ser a mais sincera forma de contribuição a qualquer aspecto de um espetáculo.
“Não! Não Gostei!” E o mundo cai! relações de amizade ou profissionais deixam de existir. Curioso como para outras áreas – aquelas que nao fazemos parte – consigamos criticar com imensa objetividade, nao parece curioso?
O boomerang volta! E o medo se instaura.
Ora, se não gosto de uma obra, se não me envolvi, se não me tocou, porque não dizer? Uma vez acontecido é fato. Muitos não gostam, nao se envolvem e nao se relacionam de forma alguma com meu trabalho artistico e a pergunta que nao quer calar é “e daí?” outros se envolveram e a vida continuou.
Se hoje meu grupo tem 10 anos de estrada com certeza deve muito a dezenas de pessoas que não ‘gostaram’ e a outras dezenas que simplesmente ‘amaram’ meu trabalho, preciso ser apaixonado agora e clichê ao ponto de lembrar o mestre Nelson Rodrigues quando diz “a unanimidade é burra”.
Ele disse, “BURRA” …
Não costumo perder amigos porque me disseram “não” embora eu evite ter amigos que me enalteçam sem o devido merecimento. Se assim for, melhor chamar os vizinhos, os primos e a familia e continuar fazendo teatro para eles, como na infância, daquele jeito que beira a terapia em grupo “bem bonitinho! Que Talento Meu Deus!”
Concordo em partes com o colaborador da Revista Emilliano Freitas e discordo em centenas de outras, nem por isso vou evitar de convida-lo para um cerveja no fim de semana, afinal de contas a inteligencia me permite isso: discordar e brindar, tudo ao mesmo tempo e agora.
Parabens Juliana Galdino, parabens Emilliano Freitas.
fernando prado
ator e diretor de teatro
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