.menino de 11 anos
Carrego a sensação que estou me despedindo da pista, das pistas, das pessoas, das luzes, do som alto, do palco, das parafernálias, dos sorrisos construidos, dos sorrisos conquistados, dos olhares, dos recados em guardanapo de bar, das vodkas, dos banheiros e dos vômitos que os acompanha, dos garotos e das garotas, dos velhos em fim de noite, da tristeza maqueada de madonna, da solidão coberta com pó, das coisas velhas, das coisas semi-novas, das roupas feitas ontem, das compradas em lojas chiques, das mães - sim, vez ou outra elas seguem os filhos em festas como estas - das músicas e das versões exclusivas - djs adoram ouvir isso e se deliciam em tocar as preciosidades — como se alguem realmente desse importancia para isso — é - das compras e dos aluguéis, dos assuntos idiotas mas também dos cultos cheirando a alcool barato, dos sapatos apertando os pés, do meu olho no horizonte cumprimentando um jhon doe, do meu vácuo no seu desespero, das pessoas de quatro no chão, da diversão que não alimenta, das diversões que alimentam, do glamour de plástico e dos pequenos poderes, das fotos e dos cds-promo, das discussões na gabine e dos desdobramento nas redes sociais, das transformistas, das travestis, dos dealers, dos policiais, dos ratos e dos gatos, da noite de volta pra casa sempre sozinho, da ida até a casa, sempre sozinho com pitacos de alteração disforme, do verde esperado do semaforo e da troca de faixas enquanto estou dirigindo, dos beijos sem graça embora tantos outros com graça, mostarda e ketchup, do grave em excesso e do mp3 que ‘travou’ e não tocou, dos cds quebrados, do lou lou mas também do poison, do visage, do 110 plaza, das viagens, da radio visao e também da transamerica e jovem pan em uberaba, da 102 fm de frutal e também do program radio-ação, do adrenalina de sábado e dos mamonas assassinas, das aberturas e show, skank, fresno e tantos outros, do backstage, e das besteiras que a gente fala e faz e refaz e finge que nao fez pra poder fazer de novo e dizer então “eu nao sou assim, estou assim”. aham claudia, senta lá e me conta o que está acontecendo. Desde que voltei a tocar esse ano, algo me diz que não passa de um ensaio para o fim. Um requiem alucinado que se repete às sextas e sabados até sei lá quando.
