.choco-acaí
O vizinho aqui do lado abre a janela do quarto dele todos os dias, ao menos duas vezes eu ouço diariamente o barulho rangendo que - penso - se aqui no escritorio me incomoda imagino quão irritante deve ser ouvi-lo tão de perto, como ele - o vizinho - ouve todos os dias, mas com certeza o sujeito já se acostumou a isso, se acostumou ao barulho a ponto de incorporá-lo ao seu dia a dia e tudo bem. Assim como eu, que mesmo escrevendo aqui no blog num ato de demonstrar minha pequena revolta - tambem me acostumei a ouvir o barulho e a irritar cada vez menos com ele. Acostumei também a saltar meu cachorro pela casa, quando ele está bem alí no meu caminho, ao inves de chamar a atenção do bicho, simplesmente pulo. Criei outra rotina para incorporar esse ruído, é … me acostumei. Da mesma forma que a gente se acostuma com a ausencia também, ela vai embora, leva tudo ou quase tudo e a gente chora um dia e depois vive os 29 restantes do mês, a gente se acostuma com a falta e incorpora a ausência no arroz com feijão de todo dia, que também é um costume, mesmo quando o médico pede para “diminuir no feijão” e tomar cuidado porque sua taxa de “acido urico” está alta, que nada, me acostumei com o feijão e vou ter que me acostumar ao remédio que terei que tomar duas vezes ao dia. Essa musica que toca agora tambem foi um costume sabia? Alanis Morissette nao era lá essas coisas para mim, mas ouvi repetidas vezes “No Pressure Over Capuccino” que estou aqui escutando, deliciando meus ouvidos e escrevendo, outro costume. Não! nao foi costume, é um prazer escrever, sim! e quem disse que nao há prazer nos costumes? Existe um prazerzinho bem safado em ter se acostumado com a ausência, o mesmo prazer de pular o bicho e em seguida fazer um comentário fofo sobre o cachorrinho. É um costume que faz bem e se nao faz, a gente faz fazer! (rs) É assim, o costume é nossa resposta ao dia a dia complicado e cheio de limitações. Lembro agora de uma frase que a Clarisse escreveu que em que ela dizia mais ou menos assim, … , que queria fazer o que é proibido, nao por rebeldia, mas por exercício da liberdade. Penso que só sei o que é liberdade se pressiono os limites, se exerço um pouco do que acho que mereço, mas também percebo rapido que tenho que dar espaço para o outro fazer a mesma coisa e me acostumo em dar um passo atrás e fica assim esse rastro de história em todo lugar. Sou mesmo a soma de todas as coisas, dos costumes, assim como esse de agora, de querer sair daqui da frente do pc, publicar um texto sem revisão e ir tomar um açaí com chocolate, próprio de domingo! Quem disse? Ninguem, eu criei para mim, me acostumei com o roxo do açai pintando minha lingua que pra falar a verdade tem se acostumado muito em beijar outra língua italiana por aí. Outro costume desses que dificilmente vai ser substituido.
