.tudo faz tanto tempo

.cortar a grama

Para quem vem da direita para a esquerda ou para quem está à esquerda e vai virar rapidamente para a direita contam a mesma historia, “dá na mesma” dizem, nenhum deles conseguem enganar os olhos de quem vê, evitando assim o contato que pode se dar em uma conversa rápida de transito, um xingamento mudo, alguma vogal com o flanelinha ou uma longa divagação a respeito da vida e da morte em um boteco que acabou de abrir naquela avenida movimentada da sua cidade.

A relação - a famosa interpessoal - essa que liga um ao outro, que gera amizade e dá permissão de acesso à intimidade e ao envolvimento profissional, o emprego propriamente dito e demais permissões, também cercea paralelamente outros momentos de convívio, pretendo esclarecer.

Sou um cara cujo receio de magoar, atrapalhar, chatear o outro pode até me definir como pessoa, o que acredito ser péssimo; afinal querer agradar a todos e a todo momento é mesmo muito ruim, prejudicial em todas as instâncias que conheço. Deixemos claro que nao estou falando aqui daquela necessidade de fazer o bolo mais gostoso, ter a ideia mais brilhante, cortar a grama como ninguém ou dar quatro saltos mortais saindo ileso, não! Definitivamente nao é sobre isso que estou falando, mas - ssssssssssss -  é de fazer um bolo saboroso que agrade a todos ou à maioria, cortar a grama de modo que nao atrapalhe você a colocar o carro, ou sei lá o que, de ter aquela idéia que some, que seja aproveitada e que eu possa contribuir dando um salto e tenha sua aprovação.

Chegamos onde eu queria desde o inicio, mas gastei tempo enrolando você leitor com meus papos de direita, esquerda, cercear o direito, bla bla bla, espero nao ter chateado você! (rs) Bem …  aprovar e receber aprovação são constantes na minha vida afetiva e profissional - creio que na sua também, afinal porque seria diferente!? - muitas vezes sou convidado a fazer parte de Bancas Avaliadoras em trabalhos acadêmicos, concursos, competições e por aí vai, ser juri é complicadissimo, aprovar ou reprovar alguém baseado em exigencias, regulamentos internos, critérios malucos é mesmo uma loucura, sinto como se fosse um excesso de exigencia comigo mesmo entretanto sempre dei conta do recado embora levasse para casa todo aquele peso de quem decidiu algo sobre a vida de alguém.

Ser aprovado ou reprovado é complicadíssimo também, quando alguem nao gosta do que você fez, da sua ideia, do jeito que pensou e executou o plano, o mundo cai, bem como a musica da Maysa.

E cai porque tem aquela historia de que só você sabe o quanto lutou pra chegar ali, para conquistar aquele escore, para cruzar aquela barreira. Acontece assim: Quando alguem nao gosta de mim, passo por cima mas nao pacificamente, fico matutando lá no fundo com meus botões enquanto penso “o que eu fiz de errado? O que teria eu que fazer para que essa pessoa fosse com a minha cara?” Oh Meu Deus! existem gostos, empatias e anti-empatias. Se nao “foi com a cara” pronto, já está resolvido e vamos seguir em frente! Deveria ser assim, parece facil, mas comigo nao se processa dessa forma.

Ter a presença reprovada por outrem é comum a todos e acontece mesmo todo dia, mas se você é um curioso como eu, deve levar para casa várias pulgas atrás da orelha e com as pulgas várias aprovações e reprovações internas, auto-flagelações e pequenas culpas. “Porque nao gostaram de mim?” “Porque nao agradei?” “O que preciso fazer para que me simpatizem comigo?” Lembrei-me agora de um curso que fui fazer em Campinas certa vez, o professor Pepe Nunez nos dizia “O palhaço no circo, quer ser amado por todos e tudo o que ele faz durante seu numero é tentar conquistar esse amor” 

Compreendo a necessidade de nao agradar a totalidade, ter personalidade acima de tudo (…) e é nessa busca que continuo caminhando, aprendendo arduamente que afetos são conquistas árduas assim como os desafetos que são igualmente conquistados, merecidos e fundamentais para a evolução do caráter de todos nós.

simbóra!

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Obrigado, Lilian Morais e Hugueney Bisneto pela troca de ideias na noite de ontem.


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