.tudo faz tanto tempo

.sua puta, vadia.

Estou tentando ficar bem. Coloquei Betânia e Zeca pra tocar enquanto eu abro as comportas e me deixo desaguar por partes. Acho mesmo que estou me tornando esse cara de trinta anos, engraçado e metido que consegue vez ou outra alguém pra transar e que não encontra alguém para levar para a casa. Levar para a casa. Quando me coloco assim, deste jeito, pronto a vazar por todos os orifícios vejo a água caminhando aqui e ali, transbordando piscinas naturais e na várzea há pessoas reunidas. A água à frente cai em outra parte represada e assim por diante. You can cry me a river, I cry a criver over you. As pessoas da várzea são memórias tristes, assim como tudo o que passa. Mesmo quando uma memória me traz um sorriso, é com saudade de um tempo que não existe, que não volta mais, o sorriso é triste como a memória que o originou. Entao, permito a mim mesmo olhar para os lados e ver se sobrou alguém no lodaçal que ficou atrás do movimento brusco da água. Nem sempre a enchente começa tiritante. Ela começa com respingos inquietos e neste momento eu já sei o que vem pela frente. You cry all night, but you can cry me river… I cry a river over you. Dominado pela ansiedade a água vem lavando, ariando e irritando a pele do rio. A vida rolando como pedras nas margens tem ardimento de eternidade, como se dissesse “estamos apenas começando”, existe um tom sádico nisso. Quando a água passa e chega à outra represa, o rio atrás fica úmido, sem peixes embora os pescadores continuem com suas varas apontando para a lama. Alguns mais abusados jogam suas tarrafas. No fim das contas eu fico aqui, olhando tudo o que aconteceu e tento ficar bem. Agora Barbara Streissend me diz “now you say you’re lonely…” … sua puta vadia!


To Tumblr, Love PixelUnion

We're updating Fluid!

Soon, we'll be updating the look and feel of this theme. Read about the changes here. You can easily turn off this notification in the theme customization panel.

Close