.tudo faz tanto tempo

.da cabeceira

Eu adoro hotel. Em letras garrafais com requintes de letras coloridas e traço embaixo. Gosto bastante. Existe uma semi-liberdade legitimada pelo dinheiro que me da prazer, não posso negar e tudo começa na reserva; o ritual vem pelo acesso a internet na maior parte das vezes e de foto em foto, comentário em comentário, você vai descobrindo o perfil do lugar a partir do que os hospedes disseram, da localização e ate do valor da diária. Os serviços são quase os mesmos se pegarmos por base os hotéis express, mas e daí? Meu prazer não é se o hotel tem uma piscina olímpica disponível para mim ou se o acesso a internet é 3D com recursos holográficos no quarto. Não mesmo! Meu grande tesão com este estabelecimento é o que estou sentindo agora, aqui, num hotel Express no centro da capital paulista, debaixo de uma garoa. Sozinho no quarto, com direito ao ar-condicionado no 18, apenas a luz da cabeceira acesa e eu (…) aqui com o notebook ligado, vez ou outra espiando pela janela; ao longe alguém liga a tv, outro desliga, em um dos quaisquer apartamentos sem nome até onde minha vista alcança. Este prazer de ter o tempo parado aqui e agora, onde o telefone não vai tocar, ninguém vem perguntar nada, não vão me exigir ou esperar de e por mim; onde não preciso fazer nada alem de existir, é -quase- impagável, embora tenha preço. Abrir meu mate pequeno-burguês, pensar que o mundo esta lá fora bombando e eu na tranqüilidade da minha escrita é para mim sublime e raro. Mas, o hotel não basta por si, ele é o inicio e o fim de uma trajetória que começou na experiência de ser estrangeiro. No meu caso - agora - no meu próprio país. O que quero dizer com isso é que o hotel não é a finalidade, mas encontra-se no processo. O processo inclui: acordar nessa outra cidade que não é a minha, embora já tenha sido, ter ido tomar café na Bela Paulista ouvindo sotaques diferentes e saboreando uma outra qualidade de pão azeitada ao ponto de outras excelentes conversas que vem de lugares outros; de ter visitado um amigo que há quatro anos não o via e ter trocado receitas de vida e ter feito um ou dois outros planos para o futuro; de ter tomado uma cerveja logo ali atrás do Masp, enquanto uma turma animada jogava malabares com fogo no vão livre, de ter falado nomes outros como se fossem nomes meus, habituais e só então chegar ao hotel me entregando às memorias de um dia outro e da liberdade de caminhar - em outros momentos seria correr!!! - para o notebook e redigir calmamente um texto para o blog. Axé!


To Tumblr, Love PixelUnion

We're updating Fluid!

Soon, we'll be updating the look and feel of this theme. Read about the changes here. You can easily turn off this notification in the theme customization panel.

Close