.tudo faz tanto tempo

.vip

Todo mundo quer se afirmar e afirmar-se me parece estar diretamente ligado à idéia de estar certo. Quem afirma, tem certeza do que diz ou do que é. A adolescência é cheia disso; As calças, as cores, o jeito de falar, as tribos; tudo parece querer dizer a mesma coisa: estou aqui, você não me entende, você não sabe da minha verdade, mas eu a conheço e por isso estou de pé.

 Estão todos aí, cantando musicas características da fase e se fechando em grupos coloridos ou espetados. Acho que eles acabam chegando no oposto do que queriam enquanto filosofia de vida - de uma vida diferente -  entregam-se na verdade ao rótulo comum e às questões médias, medianas, medíocres. Acreditando se afastar, são abraçados pela sociedade ainda mais, afinal de contas os mais velhos já conhecem a ladainha e por já ter vivido isso um dia, entendem e suportam. É melhor te-los por perto sob certa vigilância.  

 Esta afirmação exacerbada - dramática, eu diria - vem da vontade de se distinguir; se todos são iguais, o cara é diferente, se a moda vem para a direita o cara vai para a esquerda por principio. Paul Valéry disse algo curioso, segundo o poeta a necessidade de se distinguir é indivisível da existência mesma. Interessante isso. Comecei a divagar aqui sobre a adolescência, embora todas as

dos outros. Nada melhor que ter no vocabulário grandes nomes, roupas, alimentação ou lazer. Para a classe C, ao contrario, o luxo é uma forma de inclusão, de ter o que os outros já tem. Quem não tem, não é, está por fora. Melhor é ter um IPHONE e falar das mesmas coisas que os que também possuem, falam. Outra diferença e que para os jovens da nova classe media, luxo esta essencialmente ligado a marcas e produtos e não a experiências.

 Já passei da adolescência e vejo claramente tudo o que eu fiz para me enquadrar, para ser igual à alguns e diferente de outros; Já quis ter e quando não tinha mentia a mim mesmo, dissimulava minha exclusão, criava outras gírias ou me apropriava de um mundo que não era meu, eu entendia - lá no fundo - que tudo aquilo era um sonho distante. Afirmar-se é realmente complicado. Parece depender de raça, credo, cor e situação financeira. Ser VIP tem seu charme, seu status momentâneo. Dizer em ações: eu sou interessante, estou deste lado do cercadinho porque mereço. Quem não gosta? (aceito todas as respostas)

 Joãozinho trinta já tinha dito: “O Povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”  e tenho dito!

 —-

Antes de escrever este, li o texto de Luiz Alberto Marinho.

(Source: fernandoprado.com)


To Tumblr, Love PixelUnion

We're updating Fluid!

Soon, we'll be updating the look and feel of this theme. Read about the changes here. You can easily turn off this notification in the theme customization panel.

Close